Tendinopatia: a dor que não passa
A dor atrás do calcanhar que aparece nos primeiros passos da manhã, melhora quando aquece e volta pior no dia seguinte é o padrão clássico da tendinopatia de Aquiles. Não é inflamação simples: o tendão sofre desorganização das fibras de colágeno, e por isso repouso isolado costuma aliviar sem resolver.
Existem duas formas, e a distinção muda o tratamento. A insercional dói no ponto em que o tendão se prende ao osso do calcanhar e piora com alongamento agressivo e com contraforte rígido de calçado. A não insercional dói de 2 a 6 centímetros acima, e responde melhor a protocolos de carga progressiva.
Ruptura aguda: o que fazer nas primeiras horas
A ruptura costuma acontecer numa arrancada, num salto ou numa mudança de direção. A pessoa relata um estalo e a sensação de ter levado uma pancada na perna, mesmo sem ninguém por perto. Depois disso, fica impossível ficar na ponta do pé daquele lado.
- Não force o apoio nem tente testar se "ainda dá para andar"
- Imobilize o pé em leve flexão plantar, com o pé apontado para baixo
- Gelo local por 20 minutos e perna elevada
- Procure avaliação no mesmo dia: o diagnóstico é clínico e a decisão de tratamento tem janela
Operar ou tratar com bota
Nem toda ruptura de Aquiles vai para a cirurgia. Existe tratamento conservador com imobilização funcional em bota com cunhas, seguido de reabilitação, e existe o reparo cirúrgico. A literatura mostra resultados funcionais próximos entre os dois caminhos quando a reabilitação é bem conduzida, com diferenças em risco de nova ruptura e em risco de complicação de ferida.
A escolha leva em conta o intervalo entre a lesão e a avaliação, o afastamento entre os cotos do tendão, a idade, a demanda esportiva e as condições de cicatrização. É uma decisão tomada em conjunto, com o cenário de cada opção explicado.
Reabilitação
O tendão responde a carga controlada, não a repouso prolongado. O plano é por fase:
- Fase inicial: proteção, controle de dor e mobilidade sem sobrecarga do tendão
- Fase de carga: exercícios excêntricos e de carga lenta e pesada, o que tem melhor sustentação em estudos para tendinopatia
- Fase de potência: retorno gradual ao salto e à corrida, com critério de simetria de força
- Alta esportiva: liberada por teste funcional, não por calendário
Perguntas frequentes
Como sei se rompi o tendão de Aquiles?
O conjunto típico é estalo durante o esforço, dor súbita atrás do tornozelo e incapacidade de ficar na ponta do pé daquele lado. O exame de consultório confirma na maioria dos casos, e a ultrassonografia ou a ressonância ajudam a definir o tratamento.
Tendinite de Aquiles tem cura?
A maioria dos casos melhora sem cirurgia, mas exige tempo e protocolo de carga bem seguido. Semanas de repouso sem exercício de fortalecimento costumam aliviar e depois recidivar.
Posso continuar correndo com dor no Aquiles?
Depende da intensidade e do comportamento da dor. Dor leve que não piora ao longo dos dias pode permitir carga ajustada; dor que aumenta a cada treino pede pausa e avaliação antes de virar lesão maior.
Quanto tempo até voltar ao esporte depois da ruptura?
O retorno ao esporte de impacto costuma levar de 4 a 6 meses, tanto no tratamento cirúrgico quanto no conservador. A liberação é por critério de força e função, não por prazo fixo.
